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Paulo Ronaldo Marek
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A Influência na Literatura e na Academia de Letras
Não só através dos adeptos, mas também dos seus opositores, teve Comte a atenção do público brasileiro. Registrando Machado de Assis, em suas crônicas, não só os usos e costumes, mas ainda os principais acontecimentos políticos e literários da época, nelas são freqüentes as alusões ao Positivismo. Em 25 de novembro de 1894 assim alude Machado a um episódio no Conselho Municipal: "Refiro-me à bandeira que apareceu hasteada na sala das sessões do conselho, em dia de gala, sem se saber o que era nem quem a tinha ali pôsto. Pelo debate viu-se que a bandeira era positivista e que um empregado superior a havia hasteado, depois de consentir a nosso presidente ..." (3) Lima Barreto passou a freqüentar a Igreja Positivista do Brasil em 1897, segundo o biógrafo Francisco de Assis Barbosa. O Positivismo marcou acentuadamente a obra de Lima Barreto, fornecendo-lhe material para a criação de diversos dos seus tipos. Livros como Recordações do Escrivão Isaias Caminha e o Triste Fim de Policarpo Quaresma lembram a passagem de Lima Barreto pelo Positivismo. Segundo Francisco de Assis Barbosa, o personagem central de um livro inacabado, Cemitério dos vivos, onde se notam alusões à iniciação na doutrina comtista. Nos numerosos discursos de recepção proferidos na Academia Brasileira de Letras são citados Auguste Comte e o Positivismo, claras ou veladas, se sucediam nos discursos da Academia como: " O século XIX foi um glorificador do homem das meditações de Comte, ele surgiu santificado na história" dizia em 21 de julho de 1914 Alcides Maya." (4) Euclides da Cunha teve a influência positivista na sua formação. Em trabalho apresentado ao Terceiro Congresso Nacional de Filosofia sobre Euclides da Cunha e a poesia, Milton Vargas tece as seguintes considerações: "Não é difícil, da leitura de Os Sertões, concluir que, para Euclides da Cunha, todo o conhecimento é relativo e restrito aos fenômenos. Assim mantém-se ele, pelas seiscentas e tantas páginas do seu livro, na pura descrição fenomenológica e na interpretação positiva dos fatos narrados... E, entretanto, não é possível negar que, em sua grande estrutura, Os Sertões é um livro positivista..."(5) Na trilogia O Tempo e o Vento, Érico Veríssimo retrata com fidelidade o que foi o ambiente positivista do Rio Grande do Sul. Referindo-se ao terceiro volume de O Tempo e o Vento disse Érico Veríssimo no Diário de Notícias, de Porto Alegre, de 29 de junho de 1960: " Estou no momento escrevendo um romance em que Júlio de Castilhos e o castilhismo são citados e discutidos a propósito da Constituição do Estado Novo, do comportamento político de Getúlio Vargas e de outros acontecimentos de nossa história mais recente. Júlio de Castilhos me fascina não só como político mas também e principalmente como figura humana." (6) |
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